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2021

CRISTIANISMO PRIMITIVO

Em Religião e Poder no Cristianismo Primitivo (São Paulo, Paulus, 2020, 208 páginas, 27 reais), Paulo Nogueira estuda a experiência religiosa dos primeiros cristãos por meio da apocalíptica judaica, dos evangelhos, do livro do Apocalipse, dos papiros mágicos gregos e de amuletos escritos. O autor situa o contexto social e cultural de produção dessas fontes, investigando as formações comunitárias dos primeiros cristãos por meio delas. As viagens à corte celestial, a glossolalia e os relatos de transfiguração são considerados pelo autor como experiências constitutivas da espiritualidade e dos grupos cristãos que influenciam suas relações com instituições, com outras religiões e entre os próprios cristãos. O autor também discute a identidade dos primeiros cristãos por meio de passagens bíblicas e sua vida cotidiana a partir de símbolos religiosos.

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LOJAS ROMANAS

Em The Roman Retail Revolution: The Socio-Economic World (Oxford, Oxford University Press, 2018. p. 320. Capa dura, 85 dólares), Steven J. R. Ellis argumenta, a partir de uma rica documentação arqueológica, centrada em Pompeia, mas com fontes de cidades de todo o mundo romano, como o comércio estabelecido em lojas instaladas defronte às ruas torna-se parte marcante da experiência urbana romana. No processo que estuda, do século II a.C. até o III de nossa era, ele aponta três “revoluções” sucessivas: o surgimento das lojas (tabernae), a especialização desses estabelecimentos em funções específicas e sua difusão por todo o Império. Assim, mais do que focar nas trocas em nível macro, Ellis demonstra os impactos do comércio varejista na experiência urbana quotidiana e na vida dos populares.

PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS

Em Disabilities and Disabled in the Roman World: A Social and Cultural History (Cambridge, Cambridge University Press, 2018, Capa dura, 248 páginas, 99,99 dólares), Christian Laes parte de definições contemporâneas de deficiências físicas e mentais, analisando as experiências sociais e as percepções culturais sobre pessoas portadoras dessas características no Império Romano. Investigando documentos escritos, representações imagéticas, ossaturas humanas, Laes discute as deficiências mentais e cognitivas, a cegueira, a surdo-mudez, as dificuldades para discursar e para se movimentar de pessoas diversas no período. O livro apresenta uma síntese dos tratamentos e dos discursos médicos, filosóficos e patrísticos, das experiências cotidianas e das chances de sobrevivência de pessoas portadoras de deficiências no mundo romano, estimulando novos estudos sobre o tema.

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COLONIZAÇÃO E SUBALTERNIDADE

Em Colonization and Subalternity in Classical Greece: Experience of the Nonelite Population (Cambridge University Press, 2017, Brochura, 34,99 dólares), Gabriel Zuchtriegel reconstrói as experiências das populações subalternas nas colônias gregas do período clássico (séculos V e IV a.C.). Este estudo é realizado por meio de dados arqueológicos, documentos literários e fontes epigráficas analisados em conjunto e iluminados por uma teoria pós-colonial que inclui nos processos de subalternização  razões socioeconômicas, mas, também, étnicas e de gênero. Além de iluminar de forma inovadora o mundo grego colonial, o livro é também fundamental por abordar alguns dos principais problemas envolvidos no estudo da subalternidade no Mediterrâneo Antigo.

VOZES MARGINALIZADAS

Nas fontes greco-romanas, os escravizados são, frequentemente, descritos como não confiáveis e incapazes de dizerem a verdade, exceto sob tortura. Em Slavery, Gender, Truth, and Power in Luke-Acts and Other Ancient Narratives (Palgrave Macmillan, 2019, XXIV, 247 páginas, Capa dura, 83,19 euros [Ebook Kindle, 66,99 euros]), Christy Cobb coloca em perspectiva três mulheres escravizadas do Evangelho de Lucas e dos Atos dos Apóstolos para analisar, a despeito de seu status e gênero, sua função narrativa de quem diz a verdade ao poder, confirmando a teologia de Lucas em circunstâncias diversas. Essa análise é realizada a partir da teoria de Bakhtin em função de uma abordagem feminista, bem como pela correlação das personagens com outras escravizadas descritas nos Atos Apócrifos, nos romances antigos e representadas em monumentos funerários. Em geral, a autora mostra como essas vozes marginalizadas contradizem percepções antigas, rompendo hierarquias convencionais.

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SUBÚRBIOS ROMANOS

Em Life and Death in the Roman Suburb (Oxford, Oxford University Press, 2020, 304 páginas, Capa dura, 69.53 dólares [Ebook Kindle, 66.05 dólares]), Allison Emmerson parte da relação conflituosa entre monumentos funerários e espaços urbanos das cidades romanas para investigar as características materiais e, portanto, atividades humanas desenvolvidas nos espaços extramuros, os subúrbios. Abrangendo subúrbios de dezenas de cidades da península Italiana, Emmerson os compreende como mais do que interlúdios entre os mundos rurais e urbanos, observando a coexistência entre túmulos e habitações, tabernas, oficinas e lojas sem qualquer paradoxo  (em contraste com os limites murados das cidades). A imagem dos subúrbios que emerge, portanto, é de microcosmos cujos mortos estão presentes, mas que são, também, repletos de vida. O livro nos permite, assim, refletir sobre as interações entre pessoas e atividades distintas, de camadas sociais e características diversas, mesmo que essas interações e atividades não sejam, necessariamente, o foco do estudo.

GRÉCIA E ROMA

Nesta nova edição de Grécia e Roma (Editora Contexto, 2020, 153 páginas, 35 reais), Pedro Paulo Funari apresenta, de maneira didática, um panorama sobre as culturas grega e romana, desde suas origens até sua influência em nossa própria sociedade. Utilizando fontes arqueológicas, epigráficas e literárias, o autor aborda grandes temas, como organização política e conflitos, mas também explora a forma como as pessoas viviam e se relacionavam, esmiuçando diferenças entre as elites e os cidadãos comuns, organização e mobilidade social, as diferentes formas de ver e tratar escravos (ou, no caso de Esparta, os hilotas, que não eram escravos, mas trabalhadores submetidos), mulheres e crianças, a sexualidade, a arte e a religião. O autor problematiza alguns conceitos e oferece uma ampla gama de fontes que podem servir de base para uma pesquisa mais aprofundada, inclusive para aqueles interessados nos estudos dos grupos populares.

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VIDA QUOTIDIANA

Daily Life in Late Antiquity (Cambridge: Cambridge University Press, 2018, x + 250 páginas, 21,78 libras), de Kristina Sessa, é um livro sobre práticas e experiências rotineiras de diferentes grupos sociais no Império Romano Tardio. Nele, o leitor é levado a compreender os ritmos que constituíam os mundos rural e urbano, a composição das famílias e casas pobres e ricas, as relações mantidas com os corpos, de cuidados médicos aos vestuários, as práticas e os rituais religiosos, e os modos com que o Império se fazia presente na vida de seus habitantes. Sessa integra e correlaciona elementos abordados geralmente em separado, tais como campo e cidade, pobres e ricos, com intuito de demonstrar a fluidez destas interações, sem deixar de sublinhar as relações de poder existentes. Escrito para um público amplo, com uso rico e diversificado de fontes, o livro é uma ótima porta de entrada para os debates sobre a vida quotidiana na Antiguidade Tardia.

2020

MULHERES GREGAS

Em Slave-Wives, Single Women and “Bastards” in the Ancient Greek World: Law and Economics Perspectives (Oxford; Philadelphia: Oxbow Books, 2018, 224 páginas, capa mole, 38 euros) Morris Silver analisa uma vasta documentação literária e epigráfica para compreender a situação legal e econômica das mulheres gregas em relação ao matrimônio. Investiga, em particular, as esposas com estatuto de escravas e as mulheres solteiras. No primeiro caso, o autor ressalta a liberdade que desfrutavam para administrar suas casas na ausência dos maridos e a capacidade de acumularem riquezas para si e para seus herdeiros. No segundo caso, contrariando uma visão que as compreendia, necessariamente, como prostitutas, observa a dedicação de muitas delas à produção e ao comércio têxtil. Em geral, Silver apresenta uma visão dinâmica da situação das mulheres gregas em relação ao matrimônio.

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PLAUTO

Leandro Dorval Cardoso traz para o português uma das mais conhecidas peças do dramaturgo romano Plauto (século III a.C.), O Anfitrião (São Paulo, Editora Autêntica, 2020, 176 páginas, R$ 54,90). Farsa mitológica sobre o nascimento de Hércules, ela conta como Júpiter assume a forma de Anfitrião, comandante do exército tebano, durante sua ausência para passar uma noite com Alcmena, sua esposa, desencadeando confusões em seu retorno. Em sua trajetória, Anfitrião é acompanhado pelo seu escravo Sósia, cujo protagonismo é marcante na peça. Por meio de Sósia, podemos vislumbrar aspectos da escravidão romana que vão desde a opinião pública sobre como um escravo deveria se comportar até os temores e as aspirações dos escravos, sempre presentes em suas falas. A edição possui formato bilíngue Latim-Português e a tradução, poética e rítmica, é direta do original.

​ÁFRICA ROMANA

Em Sociedade e Cultura na África Romana: oito ensaios e duas traduções (São Paulo: Intermeios, 2020, 252 páginas, 55 reais), Julio Cesar Magalhães de Oliveira apresenta a história do Norte da África desde a conquista romana até a Antiguidade Tardia a partir de baixo, enfatizando as experiências de pastores, soldados, camponeses e a história do cristianismo. Essa história é analisada nos oito ensaios que constituem o livro, o qual traz ainda a tradução comentada de fontes, uma epigráfica e outra da tradição manuscrita, inéditas em língua portuguesa. No decorrer dos ensaios, em diálogo com debates recentes sobre o significado das ações populares no período, Magalhães de Oliveira correlaciona algumas das formas e dos meios dessas ações, expressas em protestos de camponeses e em conflitos religiosos, com as condições derivadas da integração da África às estruturas do Império Romano. Aliada à erudição e ao rigor analítico, o livro é marcado por uma linguagem fluida, tornando-o acessível a um público amplo.

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OPINIÃO PÚBLICA

Em Public Opinion and Politics in the Late Roman Republic (Cambridge, Cambridge University Press, 2017 [capa mole, 2020], xii+270 páginas, 39,99 dólares), Cristina Rosillo-López investiga os mecanismos de funcionamento da opinião pública na República Romana Tardia como parte da política informal. A autora explora a interação e a oposição política entre a elite e o povo por meios como os rumores, as fofocas, a literatura política, os versos populares e os grafites. Ela propõe a existência de uma esfera pública no período, analisa a opinião pública como um sistema de controle e estuda a sociabilidade e os encontros informais nos quais a opinião pública circulava. O que emerge deste estudo é um conceito de participação política do povo que não é mais restrita às eleições ou à participação nas assembleias.

ANTIGUIDADE TARDIA

Em A Social and Cultural History of Late Antiquity (New Jersey, Wiley, 2018, U$ 37,99 e-book; U$ 46,75, p. xxix + 285), Douglas Boin explora múltiplas questões sobre a Antiguidade Tardia “de baixo para cima”, com a preocupação de integrá-las em quadros sociais mais amplos. Boin perpassa temas tão diversos como mobilidade social, vida urbana, organização política, laços familiares, constituição de comunidades e religiosidades, sempre procurando estabelecer um diálogo entre passado e presente e discutindo as questões políticas e de poder envoltas nesses temas. A partir de uma gama diversificada de fontes, somos introduzidos numa narrativa de histórias de pessoas, grupos, objetos e ideias que se entrecruzam no Mediterrâneo de fins do século III até início do VIII.

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MULHERES E GÊNERO

O que os grafites nos dizem sobre como agiam e o que pensavam as mulheres de Pompeia? O que a reação dos discípulos de Jesus ao verem-no conversando com uma mulher nos diz sobre as relações de gênero nas primeiras comunidades cristãs? Essas e outras questões são tratadas em Mulheres, Gênero e Estudos Clássicos: um diálogo entre Espanha e Brasil (Barcelona: Universitat de Barcelona; Curitiba: UFPR, 2020, 373 páginas, 180 reais), livro originado da colaboração entre antiquistas da Espanha e do Brasil, organizado por Renata Senna Garraffoni e Manel García Sanchez. As autoras e os autores versam sobre as relações de gênero na Grécia e na Roma antigas e suas representações, contribuindo para o avanço dos estudos sobre as mulheres a partir de uma visão crítica quanto à sua marginalização nas narrativas históricas tradicionais.

APÓCRIFOS

Os atos dos apóstolos chamados “apócrifos” são aqueles que não foram incluídos no cânone bíblico, mas eles circulavam livremente nas primeiras comunidades cristãs. Valtair Afonso Miranda traz para o português os Atos Apócrifos de Pedro (São Paulo, Paulus, 2019, 96 páginas, 19 reais). Trata-se de uma fonte interessante para o estudo da cultura popular e dos subalternos nas comunidades cristãs dos séculos II e III. O texto é marcado pela forte presença de situações miraculosas, folclóricas e inusitadas, como um cachorro falante que anda em duas patas e a ressurreição de um peixe defumado, bem como de pessoas em situações de adversidade social, mulheres viúvas e adúlteras, pobres e destituídos em geral. A edição teria muito a ganhar com uma tradução direta do original e um formato bilíngue.

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ESCRAVIDÃO

Em Ancient Greek and Roman Slavery, (Malden, Wiley, 2018, 264 páginas, capa mole, 36.25 dólares) Peter Hunt parte da centralidade da escravidão como instituição na antiguidade e objeto de reflexão na modernidade e na contemporaneidade para introduzir o leitor às questões mais discutidas sobre o tema. O livro é construído a partir de uma abordagem comparativa entre a Grécia e a Roma antigas que versa sobre as relações entre a escravidão e a economia, a política, a sociedade e a cultura por meio de um escopo amplo de evidências desde historiográficas até epigráficas. Dentre os temas introduzidos, Hunt não se limita às normas e ao lugar dos escravos nas sociedades greco-romanas, explorando também suas possibilidades de ação, as “armas dos fracos” que lhes permitiam resistir à opressão social cotidiana.

PROSTITUIÇÃO

Em The Brothel of Pompeii: sex, class and gender at the margins of Roman Society (Cambridge: Cambridge University Press, 2019, 266 páginas, 95 dólares), Sarah Levin-Richardson examina as ruínas arqueológicas de um bordel – o chamado Lupanare – que funcionava na cidade de Pompeia. De início, Levin-Richardson reconstrói e da vida ao Lupanare a partir da análise da arquitetura, decoração, objetos e grafites procedentes do local. Em seguida, explora as experiências – sociais, físicas e emocionais – tanto das prostitutas quanto da clientela do bordel. The Brothel of Pompeii é um trabalho interessante sobretudo para aqueles que desejam conhecer a história da prostituição romana a partir da experiência de mulheres, escravos, trabalhadores e outros grupos subalternos.

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APULEIO

O Asno de Ouro, de Apuleio (trad. Ruth Guimarães, prólogo de Adriane da Silva Duarte, São Paulo, Editora 34, 2019, 480 páginas, R$ 88) é o único romance latino da Antiguidade a sobreviver na íntegra até hoje. Narra as desventuras do jovem Lúcio que, pagando o preço de sua curiosidade pela magia, se transforma em um burro, porém sem perder sua inteligência. Raptado por um bando de salteadores e passando depois por vários donos, esse observador insuspeito descreve a vida de homens e mulheres de todas as classes sociais, inclusive dos grupos subalternos e marginalizados pouco retratados na literatura antiga. Edição bilíngue, com o texto original latino e a tradução para o português de Ruth Guimarães, o livro conta ainda com a excelente introdução de Adriane da Silva Duarte.

HISTÓRIAS DE ROMA

Um escravo em Roma podia se casar? Os romanos eram machões? Como as mulheres romanas cultivavam a amizade? Essas e outras questões são os temas de Roma Antiga: Histórias que você sempre quis saber (São Paulo: Fonte Editorial, 2019, 142 páginas, sem preço), novo livro de Pedro Paulo Funari e Filipe Silva. Os autores apresentam, de forma leve e agradável, uma série de histórias sobre o mundo romano, muitas delas sobre os subalternos, a gente comum. As charadas populares, as gozações dos eleitores, a paquera à Romana, o vinho, as roupas e as latrinas são apenas alguns dos temas desse livro que pode servir como um bom ponto de partida para quem deseja conhecer um pouco da vida de todos os dias na Roma antiga.

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ESTUDOS CLÁSSICOS

A People's History of Classics, de Edith Hall e Henry Stead (Londres e Nova Iorque, Routledge, 2020, 670 páginas, 26,39 libras, capa mole) explora a influência do passado clássico na vida das pessoas da classe trabalhadora na Grã-Bretanha e na Irlanda do final do século XVII ao início do século XX. Utilizando diversas fontes de informação, publicadas e inéditas, em arquivos, museus e bibliotecas do Reino Unido e da Irlanda, Hall e Stead examinam a experiência da cultura clássica na classe trabalhadora, desde a Declaração de Direitos de 1689 até a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Como mostram os autores, a educação clássica não precisa ser elitista ou reacionária. Se ela foi muitas vezes o currículo do império, o interesse dos trabalhadores e do movimento operário pelos clássicos nos mostra que ela pode ser também o currículo da libertação.

2019

CULTURA POPULAR

Popular Culture in the Ancient World (ed. Lucy Grig, Cambridge, Cambridge University Press, 2017, x+369 páginas, 110 dólares), é o primeiro livro a oferecer um estudo interdisciplinar do assunto. Um grupo de estudiosos de vários países enfrenta neste livro um leque fascinante de temas e objetos: desde oráculos até o vestir, desde brinquedos até a especulação teológica. Depois de uma introdução substantiva, 13 capítulos se sucedem tratando da Grécia clássica ao Império Romano e até à Antiguidade Tardia. O livro ultrapassa as visões tradicionais da cultura popular associadas ao "pão e circo" e mostra, ao contrário, toda sua riqueza e diversidade.

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ESOPO

Em Fábulas, seguidas do Romance de Esopo, livro publicado pela Editora 34 (São Paulo, 2017, 280 páginas, 55 reais), André Malta e Adriane da Silva Duarte reúnem duas obras traduzidas do grego antigo: uma coletânea de 75 fábulas de Esopo e sua biografia romanceada. As fábulas nos remetem a uma moralidade popular que remonta à Grécia arcaica e clássica. Já o Romance de Esopo, escrito no século II d.C., sob o Império Romano, coloca em cena, numa narrativa divertida, um escravo de lavoura, promovido a escravo doméstico de um filósofo e que ganha a liberdade graças a sua astúcia e ao uso da palavra em público. Como poucos textos literários antigos, as Fábulas e o Romance de Esopo nos permitem vislumbrar algo das vozes, da vida e da cultura dos subalternos na Antiguidade.   

CRISTIANISMO

Narrativa e cultura popular no Cristianismo primitivo (São Paulo, Paulus, 2018, 152 páginas, 29 reais), novo livro de Paulo Nogueira, convida o leitor a adentrar o universo dos primeiros cristãos por meio de um exercício de estranhamento, ao analisar suas formas de expressão literárias em seu contexto mais amplo. Partindo da hipótese de que o cristianismo primitivo tem conexões profundas com a cultura popular do Mediterrâneo antigo, o autor explora três níveis em que temas e modos de narrar populares são desenvolvidos nas narrativas conhecidas como Atos de PauloAtos de João e Atos de Filipe. Caminhando entre o folclore e a oralidade, o monstruoso e o grotesco, essas narrativas abrem portas para se pensar o cristianismo primitivo em seu contexto próprio e não apenas em função do seu futuro.

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PLAUTO

Em Slave Theatre in the Roman Republic: Plautus and Popular Comedy (Cambridge, Cambridge University Press, 2017, xvi+563 páginas, 37,99 dólares), Amy Richlin propõe uma reinterpretação radical do teatro atribuído a Plauto (século III a.C.) como um gênero escrito por e para escravos e pobres. Na primeira parte, a autora mostra como as peças jogam com as preocupações dessa audiência (como desenraizamento, castigos físicos, abuso sexual, fome e pobreza). Na segunda, cataloga as expressões teatrais das aspirações subalternas (como o desejo de vingança, honra, liberdade, manumissão e fuga). Controverso e provocador, o livro é uma contribuição significativa para os estudos sobre o teatro de Plauto e a cultura de escravos e homens livres pobres na República Romana.