Arquivo

2020

PROSTITUIÇÃO

Em The Brothel of Pompeii: sex, class and gender at the margins of Roman Society (Cambridge: Cambridge University Press, 2019, 266 páginas, 95 dólares), Sarah Levin-Richardson examina as ruínas arqueológicas de um bordel – o chamado Lupanare – que funcionava na cidade de Pompeia. De início, Levin-Richardson reconstrói e da vida ao Lupanare a partir da análise da arquitetura, decoração, objetos e grafites procedentes do local. Em seguida, explora as experiências – sociais, físicas e emocionais – tanto das prostitutas quanto da clientela do bordel. The Brothel of Pompeii é um trabalho interessante sobretudo para aqueles que desejam conhecer a história da prostituição romana a partir da experiência de mulheres, escravos, trabalhadores e outros grupos subalternos.

APULEIO

O Asno de Ouro, de Apuleio (trad. Ruth Guimarães, prólogo de Adriane da Silva Duarte, São Paulo, Editora 34, 2019, 480 páginas, R$ 88) é o único romance latino da Antiguidade a sobreviver na íntegra até hoje. Narra as desventuras do jovem Lúcio que, pagando o preço de sua curiosidade pela magia, se transforma em um burro, porém sem perder sua inteligência. Raptado por um bando de salteadores e passando depois por vários donos, esse observador insuspeito descreve a vida de homens e mulheres de todas as classes sociais, inclusive dos grupos subalternos e marginalizados pouco retratados na literatura antiga. Edição bilíngue, com o texto original latino e a tradução para o português de Ruth Guimarães, o livro conta ainda com a excelente introdução de Adriane da Silva Duarte.

HISTÓRIAS DE ROMA

Um escravo em Roma podia se casar? Os romanos eram machões? Como as mulheres romanas cultivavam a amizade? Essas e outras questões são os temas de Roma Antiga: Histórias que você sempre quis saber (São Paulo: Fonte Editorial, 2019, 142 páginas, sem preço), novo livro de Pedro Paulo Funari e Filipe Silva. Os autores apresentam, de forma leve e agradável, uma série de histórias sobre o mundo romano, muitas delas sobre os subalternos, a gente comum. As charadas populares, as gozações dos eleitores, a paquera à Romana, o vinho, as roupas e as latrinas são apenas alguns dos temas desse livro que pode servir como um bom ponto de partida para quem deseja conhecer um pouco da vida de todos os dias na Roma antiga.

ESTUDOS CLÁSSICOS

A People's History of Classics, de Edith Hall e Henry Stead (Londres e Nova Iorque, Routledge, 2020, 670 páginas, 26,39 libras, capa mole) explora a influência do passado clássico na vida das pessoas da classe trabalhadora na Grã-Bretanha e na Irlanda do final do século XVII ao início do século XX. Utilizando diversas fontes de informação, publicadas e inéditas, em arquivos, museus e bibliotecas do Reino Unido e da Irlanda, Hall e Stead examinam a experiência da cultura clássica na classe trabalhadora, desde a Declaração de Direitos de 1689 até a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Como mostram os autores, a educação clássica não precisa ser elitista ou reacionária. Se ela foi muitas vezes o currículo do império, o interesse dos trabalhadores e do movimento operário pelos clássicos nos mostra que ela pode ser também o currículo da libertação.

2019

CULTURA POPULAR

Popular Culture in the Ancient World (ed. Lucy Grig, Cambridge, Cambridge University Press, 2017, x+369 páginas, 110 dólares), é o primeiro livro a oferecer um estudo interdisciplinar do assunto. Um grupo de estudiosos de vários países enfrenta neste livro um leque fascinante de temas e objetos: desde oráculos até o vestir, desde brinquedos até a especulação teológica. Depois de uma introdução substantiva, 13 capítulos se sucedem tratando da Grécia clássica ao Império Romano e até à Antiguidade Tardia. O livro ultrapassa as visões tradicionais da cultura popular associadas ao "pão e circo" e mostra, ao contrário, toda sua riqueza e diversidade.

ESOPO

Em Fábulas, seguidas do Romance de Esopo, livro publicado pela Editora 34 (São Paulo, 2017, 280 páginas, 55 reais), André Malta e Adriane da Silva Duarte reúnem duas obras traduzidas do grego antigo: uma coletânea de 75 fábulas de Esopo e sua biografia romanceada. As fábulas nos remetem a uma moralidade popular que remonta à Grécia arcaica e clássica. Já o Romance de Esopo, escrito no século II d.C., sob o Império Romano, coloca em cena, numa narrativa divertida, um escravo de lavoura, promovido a escravo doméstico de um filósofo e que ganha a liberdade graças a sua astúcia e ao uso da palavra em público. Como poucos textos literários antigos, as Fábulas e o Romance de Esopo nos permitem vislumbrar algo das vozes, da vida e da cultura dos subalternos na Antiguidade.   

CRISTIANISMO

Narrativa e cultura popular no Cristianismo primitivo (São Paulo, Paulus, 2018, 152 páginas, 29 reais), novo livro de Paulo Nogueira, convida o leitor a adentrar o universo dos primeiros cristãos por meio de um exercício de estranhamento, ao analisar suas formas de expressão literárias em seu contexto mais amplo. Partindo da hipótese de que o cristianismo primitivo tem conexões profundas com a cultura popular do Mediterrâneo antigo, o autor explora três níveis em que temas e modos de narrar populares são desenvolvidos nas narrativas conhecidas como Atos de PauloAtos de João e Atos de Filipe. Caminhando entre o folclore e a oralidade, o monstruoso e o grotesco, essas narrativas abrem portas para se pensar o cristianismo primitivo em seu contexto próprio e não apenas em função do seu futuro.

PLAUTO

Em Slave Theatre in the Roman Republic: Plautus and Popular Comedy (Cambridge, Cambridge University Press, 2017, xvi+563 páginas, 37,99 dólares), Amy Richlin propõe uma reinterpretação radical do teatro atribuído a Plauto (século III a.C.) como um gênero escrito por e para escravos e pobres. Na primeira parte, a autora mostra como as peças jogam com as preocupações dessa audiência (como desenraizamento, castigos físicos, abuso sexual, fome e pobreza). Na segunda, cataloga as expressões teatrais das aspirações subalternas (como o desejo de vingança, honra, liberdade, manumissão e fuga). Controverso e provocador, o livro é uma contribuição significativa para os estudos sobre o teatro de Plauto e a cultura de escravos e homens livres pobres na República Romana.

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