Livros do mês
Agosto - 2026
A MENTE DOS ESCRAVIZADOS
The Mind of the Slave: The Limits of Ownership in Roman Law and Society (University of Michigan Press, 2026, 240 páginas, 75 dólares), de Nicole J. Giannella, é um estudo sobre a autonomia dos escravizados frente a seus proprietários, bem como as negociações entre eles na sociedade romana imperial. Partindo das definições legislativas sobre os escravizados romanos, Giannella observa sua dupla identificação como “propriedade” e como “ser humano”. Colocando a segunda em perspectiva, a autora cruza fontes jurídicas com documentos escritos por autores diversos (como Sêneca, Plutarco, Epíteto, Plínio, o Jovem, dentre outros) para investigar o esforço empreendido pelos proprietários para a compreensão da mente, da subjetividade autônoma de seus escravizados como mecanismo de assegurar sua colaboração no cotidiano. Esse esforço, em contrapartida, revela-nos a necessidade dos proprietários de negociarem com seus escravizados, fornecendo-lhes incentivos diversos para tentar evitar que eles atuassem contra seus interesses. O estudo colabora, dessa maneira, para discussões acerca do protagonismo (ou agência) dos escravizados romanos. Dessa vez, frente aos olhos e temores de seus proprietários.

MULHERES EM POMPEIA
Em The Lives and Deaths of Women in Ancient Pompeii (University of Texas Press, 2025, 312 páginas, 55 dólares), Brenda Longfellow apresenta analisa a vida pública e a agência social das mulheres em Pompeia, desafiando uma visão tradicional que as confinava prioritariamente à esfera doméstica. A partir de uma abordagem interdisciplinar, a autora cruza evidências arqueológicas, epigrafia, grafites, pinturas murais, estátuas e arquitetura monumental, tanto de residências e espaços comerciais a edifícios públicos, santuários e monumentos funerários, para reconstruir as experiências cotidianas e a presença social do elemento feminino na cidade. Centrando sua análise nas trajetórias de figuras chave (como Eumáquia, Mâmia, Júlia Félix e Holcônia), além de mulheres anônimas, escravizadas e libertas, o livro examina a atuação feminina nas esferas do patronato cívico, da vida sacerdotal, das transações econômicas, da construção de monumentos funerários e do culto pós-morte. Ao valorizar a materialidade e o contexto urbano pompeiano, Longfellow demonstra como as iniciativas e a liderança das mulheres eram não apenas aceitas, mas integradas e desejadas pela própria comunidade local.
