Livros do mês

Popular Culture in the Ancient World (ed. Lucy Grig, Cambridge, Cambridge University Press, 2017, x+369 páginas, 110 dólares), é o primeiro livro a oferecer um estudo interdisciplinar do assunto. Um grupo de estudiosos de vários países enfrenta neste livro um leque fascinante de temas e objetos: desde oráculos até o vestir, desde brinquedos até a especulação teológica. Depois de uma introdução substantiva, 13 capítulos se sucedem tratando da Grécia clássica ao Império Romano e até à Antiguidade Tardia. O livro ultrapassa as visões tradicionais da cultura popular associadas ao "pão e circo" e mostra, ao contrário, toda sua riqueza e diversidade.

CULTURA POPULAR

Em Fábulas, seguidas do Romance de Esopo, livro publicado pela Editora 34 (São Paulo, 2017, 280 páginas, 55 reais), André Malta e Adriane da Silva Duarte reúnem duas obras traduzidas do grego antigo: uma coletânea de 75 fábulas de Esopo e sua biografia romanceada. As fábulas nos remetem a uma moralidade popular que remonta à Grécia arcaica e clássica. Já o Romance de Esopo, escrito no século II d.C., sob o Império Romano, coloca em cena, numa narrativa divertida, um escravo de lavoura, promovido a escravo doméstico de um filósofo e que ganha a liberdade graças a sua astúcia e ao uso da palavra em público. Como poucos textos literários antigos, as Fábulas e o Romance de Esopo nos permitem vislumbrar algo das vozes, da vida e da cultura dos subalternos na Antiguidade.   

ESOPO

Narrativa e cultura popular no Cristianismo primitivo (São Paulo, Paulus, 2018, 152 páginas, 29 reais), novo livro de Paulo Nogueira, convida o leitor a adentrar o universo dos primeiros cristãos por meio de um exercício de estranhamento, ao analisar suas formas de expressão literárias em seu contexto mais amplo. Partindo da hipótese de que o cristianismo primitivo tem conexões profundas com a cultura popular do Mediterrâneo antigo, o autor explora três níveis em que temas e modos de narrar populares são desenvolvidos nas narrativas conhecidas como Atos de PauloAtos de João e Atos de Filipe. Caminhando entre o folclore e a oralidade, o monstruoso e o grotesco, essas narrativas abrem portas para se pensar o cristianismo primitivo em seu contexto próprio e não apenas em função do seu futuro.

CRISTIANISMO

Em Slave Theatre in the Roman Republic: Plautus and Popular Comedy (Cambridge, Cambridge University Press, 2017, xvi+563 páginas, 37,99 dólares), Amy Richlin propõe uma reinterpretação radical do teatro atribuído a Plauto (século III a.C.) como um gênero escrito por e para escravos e pobres. Na primeira parte, a autora mostra como as peças jogam com as preocupações dessa audiência (como desenraizamento, castigos físicos, abuso sexual, fome e pobreza). Na segunda, cataloga as expressões teatrais das aspirações subalternas (como o desejo de vingança, honra, liberdade, manumissão e fuga). Controverso e provocador, o livro é uma contribuição significativa para os estudos sobre o teatro de Plauto e a cultura de escravos e homens livres pobres na República Romana.

PLAUTO

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