Nota aos leitores

Nosso blog completou um ano de postagens no último 7 de dezembro. Neste primeiro ano, publicamos 25 contribuições, sendo 19 textos em português, um em inglês e cinco entrevistas. Nossa proposta foi a de apresentar ao público mais amplo possível uma outra visão da Antiguidade, uma Antiguidade vista a partir das experiências das pessoas comuns, homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras e de todos os grupos subalternos. Nosso propósito não foi apenas de trazer ao público aspectos desconhecidos e curiosos da História Antiga, embora isso certamente seja importante, mas também de questionar o modo como a História da Antiguidade é escrita e de dialogar com questões que nos preocupam no presente.


Os temas que abordamos foram dos motins da fome no Império Romano à atuação das mulheres no comércio na antiga Mesopotâmia. Tratamos de vários aspectos da cultura popular, da festa do ano novo na Antiguidade Tardia e do escracho como forma de justiça popular à sociabilidade dos bares e às formas de associação plebeias. Para nós, uma História Antiga vista de baixo não poderia deixar de explorar histórias daqueles que não escreveram suas histórias, como as mulheres, as crianças e os escravos. Ao mesmo tempo, buscamos trazer as experiências antigas para o diálogo com questões que nos fazemos nos dias de hoje, como: Por que as pessoas protestam? Para quem existem as fronteiras? Como as democracias morrem e como, afinal, elas renascem?


Tivemos o prazer de poder contar com a colaboração de diversos pesquisadores em estágios diferentes da carreira acadêmica e tanto do Brasil como do exterior, a quem agradecemos por sua generosidade e disponibilidade. Os textos publicados tiveram sempre o mesmo propósito de comunicar numa linguagem clara e em pouco espaço o que sabemos sobre a história dos subalternos na Antiguidade a partir das pesquisas de historiadores, arqueólogos e estudiosos das letras clássicas. Nosso esforço, também nesse sentido, foi de democratizar o mais possível o conhecimento produzido nas universidades o que é tanto mais importante quando vivemos uma época em que esse conhecimento mesmo é atacado.


Desde maio de 2019 iniciamos ainda a publicação de entrevistas em vídeo e, a partir de julho, também transcritas. Deixo à leitora e ao leitor o prazer de descobrir (ou redescobrir) as entrevistas com Filipe Silva, Adriane da Silva Duarte, Maria Cecilia Colombani, Pedro Paulo Funari e Jean-Michel Carrié na seção Entrevistas do Blog ou na aba Vídeos. Não posso, no entanto, deixar de mencionar o trabalho incansável de Nara Oliveira, Jéssica Brustolim e Pedro Benedetti que tornaram possível a gravação, edição e transcrição dessas entrevistas. Do mesmo modo, devo enfatizar o excelente trabalho editorial do editor-adjunto do Blog, Márcio Monteneri, que permitiu a publicação regular de postagens quinzenais ao longo de todo este ano, e o empenho de Juliana Marques Morais em divulgar nossas postagens no Facebook.


O blog ainda está desenvolvendo outras ideias que pretendemos aprofundar no próximo ano, como a seção livros ou a publicação de pequenos documentários, como o vídeo de curta duração publicado na seção Vídeos sobre “As padarias de Óstia”. Neste fim de ano, no entanto, interrompemos nossas atividades até o mês de fevereiro. Continuamos, porém, a postar novidades nas nossas páginas do Facebook, Instagram e Twitter e pedimos aos nossos leitores e às nossas leitoras que não hesitem em nos escrever caso tenham críticas, comentários ou sugestões de todo tipo.


Desejamos a todos e a todas boas festas de fim de ano, sejam elas o Natal, a Saturnália ou as Calendas de Janeiro que se aproximam!


Julio Cesar Magalhães de Oliveira

Editor


O mês de dezembro no mosaico-calendário de El Djem, século III d.C. (Sousse, Museu Arqueológico). Fonte: Wikimedia Commons.

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