Protagonismo subalterno: nem tudo eram flores, entre os excluídos, em disputa por um lugar ao sol
- Pedro Paulo Funari

- 9 de set. de 2021
- 4 min de leitura
Por Pedro Paulo A. Funari, Unicamp.
Uma plaquinha de chumbo, escrita dos dois lados, frente e verso, proveniente de Nomentum (AE 1901, 183), no Lácio, vizinho ao território Sabino, datada da primeira metade do primeiro século da nossa era permite discutir um aspecto nem sempre levado em conta: as disputas entre subalternos, assim como seu protagonismo, aspectos contraditórios e conflitivos, mas a serem levados em conta, ao tentar entender não só outras épocas, como a nossa. Como entender, ou explicar, comportamentos e pontos de vista em tudo conflitivos e mesmo opressores, em pessoas, hoje, das mais exploradas, excluídas e subalternas? Esse o ímpeto inicial desta reconsideração de uma inscrição antiga.
O texto é breve:

Lado A
MALCIO NICONES OCVLOS MANVS DICITOS BRACIAS VNCIS CAPILO CAPVT PEDES FEMVS VENTER NATIS VMILICVS PECTVS MAMILAS COLLVS BVCAS DENTES LABIAS ME<NT>VS OCLOS FRONTE SVPERCILILI SCAPLAS VMERUM NERVIAS OSSV MERILAS VENTER MENTVLA CRVS QVASTV LVUCRVM VALETVEDINES DEFICO IN AS TABELAS

Lado B
RVFA PVBLICA MANVS DETES OCLOS BRACIA VENTER MAMILA PEDTTVS OSV MCRILAS VENTER CRVS OS PEDES FRONTES VNCIS DICITOS VENTER VMLICVS CVNVS VLVAS/QVAS ILAE RVFAS PVBLICA DEICO IN AS TABELAS.
Texto reconstruído, na norma culta latina:
Lado A
Malchio Niconis oculos, manus, digitos, brachias, ungues, capillos, caput, pedes, femus, ventrem, nates, umbilicum, pectus, mamillas, collum, os, buccas, dentes, labias, mentum, oculos, frontem, supercilia, scapulas, umerum, nervia, ossum medulas, ventrem, mentulam, crus, quaestum, lucrum, valetudines defigo in has tabelas.
Labo B
Rufa publica manus, dentes, oculos, brachia, ventrem, mamillas, pectus, ossuum medulas, ventrem, crus, os, pedes, frontem, ungues, digitos, ventrem, umbilicum, cunnum, vulvam, iliae vel quas illae Rufae publicae defigo in has tabelas.
Tradução:
Lado A
Malchio (filho ou escravo) de Nico: seus olhos mãos, dedos, braços, unhas, cabelo, cabeça, pés, cintura, barriga, traseiro, umbigo, peito, mamas, pescoço, bochecha, dentes, lábios, queixo, olhos, fronte, supercílios, escápulas, ombro, músculos, medula, barriga, caralho, canela, foco e amaldiçoo nestas tabelas.
Lado B
Rufa, escrava pública: as mãos, dentes olhos, braços, barriga, mamilos, peito, tutano, intestinos, canela, boca, pés, fronte, unhas, dedos, útero, umbigo, boceta, vulva, lombos, de Rufa, a escrava pública, amaldiçoo nestas tabelas.
Já o uso do idioma permite concluir que se trata de pessoas de fora dos âmbitos dominantes. Essa imprecação parece ser mais ou menos contemporânea tanto dos grafites populares de Pompeia (antes de 79 d.C.), como do Satyricon de Petrônio (27-66 d.C.), com sua afetação popular, ou da linguagem rebuscada de Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.). A grafia demonstra pouco trato com as normas cultas correntes à época, como na omissão de letras que deveriam estar dobradas (mamilas por mamillas, por exemplo), ou de inteiras sílabas. Neste caso, scaplas por scapulas pode ser comparado a casos semelhantes nos grafites, como domna por domina (CIL IV 8364). Não há tampouco consistência nos desvios de grafia ou sintaxe, o que indica, de novo, pouca frequentação da leitura e da escrita em contextos oficiais ou mesmo educativos. O texto reflete a fala e a tentativa de escrever de acordo com a norma, com sucesso relativo apenas. Ainda em termos sintáticos, o uso do acusativo (objeto direto) é o que mais aproxima da escrita pompeiana e o afasta, até mesmo, da afetação popularesca do Satyricon. Assim, uenter por uentrem, umilicus por umbilicum, collus por collum, mentus por mentum, fronte por frontem, entre diversos outros exemplos. Quem colocou por escrito a maldição tinha alguma instrução, mas devia conseguir ler bem melhor do que escrever, algo muito comum entre pessoas subalternas em qualquer época, como mesmo hoje.
O conteúdo confirma o status das pessoas envolvidas: uma escrava pública, Rufa, e um provável escravo, Malchio, envolvido com os negócios do patrão também subalterno, Nico. Rufa (ruiva) é um nome de subalternizados (CIL IV 242: Rufa ita vale quare bene felas; AGP 2021), assim como Malchio (à letra, reizinho, de origem semita, מלך, algo como “graudinho”) e Nico, Sklavenmilieu, um ambiente servil, nas palavras de Solin (1989). Rufa foi interpretada como escrava pública reprodutora, ou seja, seus filhos seriam parte da escravaria da administração (familia publica). O cenário seria a maldição escrita por um homem ou mulher subalterna, em provável disputa amorosa com o casal amaldiçoado. Ambos, Malchio e Rufa podiam esperar pela alforria: ele, por acúmulo de recursos, ela por parir e gerar um escravo público. Haveria, ainda, a possibilidade da compra de Rufa e de um possível filho de ambos, caso Malchio fosse alforriado e possuísse recursos. A pessoa que escreveu a imprecação, também subalterna, ataca o corpo e a capacidade de enriquecer de Malchio e a capacidade reprodutiva de Rufa. Nesta hipotética reconstrução, o que estaria em jogo eram as oportunidades não só, nem talvez tanto, amorosas, como de promoção social. A autora anônima podia pretender ser ela a beneficiária dos recursos de Malchio, em detrimento de Rufa ou mesmo ser um homem de recursos, escravo ou liberto, interessado em Rufa, por motivos como sua beleza, para ser ele a comprá-la. Não se pode saber, são especulações mais ou menos bem fundamentadas e possíveis, mas, de todo modo, importa ressaltar as rixas entre subalternos, em particular se estiver em jogo as poucas possibilidades de promoção social. A competição nem sempre é bonita ou alegre, para usar os termos do filósofo Bento Espinosa (Ética 4, 37, 1), mas sim triste e rancorosa:
Cupiditatem deinde qua homo qui ex ductu rationis vivit, tenetur ut reliquos sibi amicitia jungat, honestatem voco et id honestum quod homines qui ex ductu rationis vivunt, laudant etid contra turpe quod conciliandæ amicitiæ repugnant. (Espinosa, Ethica, IV, 37, 1).
"Já o desejo que leva o homem que vive sob a condução da razão a unir-se aos outros pela amizade chamo de lealdade (honestas, honestidade). E chamo de leal (honesto) aquilo que os homens que vivem sob a condução da razão louvam, e de desleal aquilo que contraria o vínculo da amizade". (Tradução de Tomaz Tadeu).
Se a alegria leva à convivência, a tristeza induz ao ódio e desejo de destruição. Lembrança mais atual do nunca.


Часом знаходжу ці джерела випадково, іноді хтось скине в чат, іноді сам зберігаю “на потім”. Частину переглядаю рідко, частину — коли шукаю щось локальне чи нестандартне. Вони різні: новини, огляди, думки, регіональні стрічки. Я не беру все за правду — скоріше, для порівняння та пошуку контрасту між подачею. Можливо, хтось іще знайде серед них щось цікаве або принаймні нове. Головне — мати з чого обирати. Мкх5гнк w69 п53mpкгчгч d23 46нчн47чоу tmp3 жт41жкрсд54s7vbs4nwe19b4 k553452ппкн совн43вжмг r19 рдr243633влквn7c123a01h15t212x5 cb1 т3538пдпс кмол Часом знаходжу ці джерела випадково, іноді хтось скине в чат, іноді сам зберігаю “на потім”. Частину переглядаю рідко, частину — коли шукаю щось локальне чи нестандартне. Вони різні: новини, огляди, думки, регіональні стрічки. Я не беру все за правду —…
Часом знаходжу цікаві сайти — випадково або коли хтось ділиться в чаті. Частину зберігаю про запас, іноді повертаюсь до них при нагоді. Тут є різне — новини, блоги, локальні стрічки чи просто незвичні штуки. Деякі переглядаю рідко, деякі — коли хочеться вийти за межі звичних джерел. Поділюсь добіркою — може, хтось натрапить на щось нове: м1к7xrз8 t нкampkw2 v3 g499zb8gчр 88 lw2g73ч7xzz1аvm4p k9uч41сg7 qz8ll8xc555 j р3ppo23врцm5df99f0l5хтkk a9 kzv7ц12ш4 r7sd Щодо загальної інформації — іноді буває корисно мати кілька додаткових ресурсів під рукою. Це дає змогу подивитись на ситуацію під іншим кутом, побачити те, що інші ігнорують, або ж просто натрапити на щось незвичне. Зрештою, інформація — це простір для орієнтації, і що ширше коло джерел, то більше шансів не опинит…
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